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Por Bárbara Stefanelli
No
final da vida, a escritora Hilda Hilst (1930-2004) aparentava
ser uma senhorinha de cabelos grisalhos com aquele jeito
doce que a maioria das vovós têm. Mas isso
era só aparência mesmo, porque ela foi
completamente diferente da grande parte de velhinhas
que existem por aí. Primeiro, porque Hilda faz
parte do rol de grandes escritores do Brasil e isso,
definitivamente, não é pra qualquer uma.
E, segundo, porque ela adorava contar histórias
de sacanagem. Hilda pegava pesado em seus livros.
Com uma escrita completamente atípica, forte
e sem restrições, a escritora chocou muita
gente com sua prosa. Por isso, se estiver procurando
alguma leitura para, nas horas mais quentes, estimular
a sua criatividade ou para se livrar de toda e qualquer
barreira que possa existir nos seus relacionamentos,
leia algum livro de Hilda. Sem pudores nenhum, ela lhe
mostrará os lados mais chocantes e obscenos do
sexo.
Hilda possui a sua trilogia literária obscena:
Cartas de um Sedutor, O Diário Rosa de Lori Lamby,
Contos D'Escarnio e Textos Grotescos. Da literatura
brasileira contemporânea, esses são os
livros que mais falam explicitamente sobre sexo e que,
muitas vezes, beiram à perversão. Em seus
textos, Hilda mostra alguns aspectos do comportamento
sexual humano que acabam sendo reprimidos, só
que ela faz isso de maneira irrefreável e acaba
até assustando os seus leitores.
Então, se quiser ficar por dentro da literatura
obcena de Hilda, um bom começo é o livro
Cartas de um Sedutor, um dos menos pesados da escritora.
Nele, o protagonista Karl é um homem culto, rico
e completamente amoral, que resolve escrever cartas
provocativas para a sua irmã. A situação
é completamente incestuosa por parte de Karl,
que acaba arrancando de sua irmã uma porção
de revelações picantes. Mas se realmente
for ler os livros de Hilda Hilst, se prepare, pois eles
não são nada românticos e leves.
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