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Por Alexandre Ougata
O
americano Alfred Charles Kinsey, há exatos 60
anos atrás, em 1948, só pensava naquilo.
Isso mesmo, Dr. Kinsey publicou durante o mundo pós-guerra
um relatório sobre a sexualidade humana.
Suas investigações resultaram em duas
grandes obras: "Sexual Behaviour in the Human Male"
(R$170,40 na Livraria Cultura) e "Sexual Behaviour
in the Human Female" (atualmente esgotado), que
influenciaram os valores sociais e culturais desde então.
No final dos anos 30, um grupo de jovens alunas da
Universidade de Indiana, onde Kinsey lecionava, pediu
a reitoria a criação de um curso preparatório
para o casamento. Na falta de um professor qualificado
para o assunto, Kinsey aceitou a tarefa de ministrar
o tal curso.
Como havia pouca informação científica
sobre sexualidade, ele resolveu coletá-las por
conta própria. Entre 1938 e 1956, quando morreu
aos 62 anos de idade, sua equipe reuniu 18 mil entrevistas,
sendo que 8 mil delas foram feitas pelo próprio
Alfred Kinsey.
Os relatos de Kinsey tornaram público o que
os americanos da época faziam entre quatro paredes
ou em outros lugares, se é que você entende.
Masturbação, sexo antes do casamento e
traição eram alguns dos assuntos tabus.
Sexo era a pauta do momento até na mesa de jantar.
Afinal tem coisa mais apetitosa do que sexo?
Com os estudos de Kinsey, a América acabava
de descobrir que 37% dos homens e 13% das mulheres já
haviam experimentado uma relação homossexual,
e que isso tinha lhes proporcionado orgasmos. A masturbação
acontecia em 92% nos homens e 62% nas mulheres.
Revelado os segredos do sexo, Kinsey passou a não
classificar as pessoas como heterossexuais ou homossexuais.
Acontece que, para ele, os humanos não são
100% heteros ou 100% homo, mas apresentam diferentes
graus de um ou de outro. As variações
são:
- heterossexual exclusivo;
- heterossexual ocasionalmente homossexual;
- igualmente heterossexual e homossexual (o que se acostumou
a chamar de bissexualismo);
- homossexual mais do que ocasionalmente heterossexual;
- homossexual ocasionalmente heterossexual;
- homossexual exclusivo;
- indiferente sexualmente.
Kinsey defendeu a livre escolha, julgando todos os
comportamentos sexuais normais. Desde então,
a Associação Americana de Psiquiatria
removeu a homossexualidade da lista das doenças
mentais. Para o pesquisador, a heterossexualidade é
imposta socialmente e culturalmente, tirando dos sujeitos
a livre escolha.
O americano também apoiou o sexo livre e o sexo
com outros parceiros, que não fossem necessariamente
humanos. As relações sexuais entre os
animais eram um modelo para o comportamento sexual humano.
Os animais agem sem inibição e assim devem
agir os homens, sem imposições no comportamento
sexual natural.
Para não deixar de ser polêmico, Kinsey
afirmou que a bissexualidade, ou o igualmente heterossexual
e homossexual, era a mais equilibrada de todas as orientações.
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