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Por Luisa Migueres
Atualmente,
o público bissexual vem ganhando uma atenção
especial. Não somente pela mídia, nos
casos de celebridades que declararam já terem
se relacionado com pessoas do mesmo sexo - vide os beijos
de Madonna por aí ou o histórico da holywoodiana
Angelina Jolie -, mas uma grande quantidade de debates
e discussões vêm sendo promovidos entre
a juventude.
Existe o mito do tal "momento em que pensamos
na possibilidade de nos envolvermos com alguém
do mesmo sexo". Um momento na adolescência
ou até mesmo na vida adulta, em que nossa curiosidade
é aguçada, mas que não provoca,
necessariamente, a decisão por embarcar nessa
experiência. Essa "indecisão momentânea",
relatada diversas vezes por muitos sexólogos
durante décadas, certamente já causou
aflição para muita gente.
O pai da psicanálise, Sigmund Freud, desenvolveu
a teoria de que todo ser humano é inicialmente
bissexual, e que sua opção se daria apenas
devido a suas experiências durante a vida e sua
relação com a sociedade. E Alfred Charles
Kinsey, um dos mais populares sexólogos americanos,
dizia que o bissexualismo é a opção
sexual mais equilibrada de todas. Mas como isso é
encarada nos dias atuais, livre de padrões e
teorias? Como os bissexuais definem sua opção?
Conversamos com três pessoas que já passaram
pelo "momento de escolha da sexualidade" e
hoje conseguem se interessar por ambos os sexos, sem
precisar escolher entre um e outro. Polêmicas
e teorias a parte, nossos entrevistados lançaram
a real sobre se interessar por homens e mulheres ao
mesmo tempo.
Dani C.*, estudante de moda, que já namorou
um homem e uma mulher, confessa: "Por algum motivo,
o bissexualismo se tornou 'cool', moderno. E muitas
pessoas não me levam a sério por isso.
Mas não faço o tipo 'engajada'. Vou levando
minha vida e me interesso ocasionalmente por alguém.
O que mais gosto na mulher é a natureza mais
carinhosa, mais aberta, mais corajosa pra conhecer coisas
novas. É muito interessante beijar uma menina
mais tímida, mais insegura. Ir atrás e
tal. Não existem tantos 'joguinhos' quanto a
conquista homem/mulher. Ao mesmo tempo, não consigo
deixar de gostar de homens e, às vezes, me tornar
essa menina tímida. Me divirto e acabo encontrando
pessoas de quem realmente posso gostar".
Sofia R.*, de 20 anos, se diz bissexual, mas nunca
manteve uma relação afetiva com uma menina.
"Sou bi por gostar de estar com ambos os sexos,
mas nunca namorei com nenhuma menina. Discordo dessa
coisa de ter que ter amado/gostado de uma menina para
ser considerada bi. Nunca apareceu ninguém até
hoje, só namorei com uma pessoa, um homem. Mas
não digo que seja impossível acontecer
com uma mulher. Quanto a atração, confesso
curtir uma androgenia. Meninas não tão
femininas e meninos mais delicados."
Já o estudante de arquitetura Rafael J.*, afirma:
"Gosto de mulher e homem, não importa o
que sou. Como sou meio franguinho, gosto muito de homens
marrudos e mulheres mais encorpadas. Acho legal a diferença."
Leia
nossa reportagem "100% Hetero?"
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