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Em
meio a esculturas, quadros, fotos, vídeos e objetos
eróticos dos mais variados tipos, nada mais coerente
do que falar de sexo, principalmente com quem entende
muito bem do assunto! A visita ao Museu do Sexo (tema
da reportagem !No Motel da semana passada) nos rendeu
ainda uma entrevista, melhor dizendo, um bate papo descontraído
com dois garotos de programa que passavam por ali antes
do trabalho.
Simpáticos e cheios de histórias para
contar, Luca e Caio*, ambos de 26 anos e vindos de partes
diferentes do sul do Brasil, começaram a fazer
programa ainda na adolescência e não pararam
mais. Em nossa conversa improvisada, revelações
iam surgindo entre nossas perguntas e as várias
risadas que demos.
Grande parte das pessoas questiona o motivo que leva
alguém a se prostituir, e os motivos podem ser
muitos, mas o principal e o que leva a maioria, inclusive
nossos entrevistados, é o dinheiro. Nesse caso,
muito dinheiro. "Na época em que eu trabalhava
'pesado', morava na Vila Nova Conceição,
o dinheiro era muito bom!", revela Caio, que trabalha
como garoto de programa desde os 14 anos e em São
Paulo desde os 18.
Para Luca, o dinheiro também é um grande
sedutor. Há seis anos no ramo, veio morar na
capital e dividir apartamento com um amigo. Intrigado
com a quantia que o amigo andava faturando, quis saber
a fonte. Apresentado à casa de prostituição,
a pergunta estava respondida e logo lhe traria frutos:
"sou hoje um dos caras que mais ganha dinheiro
na casa".
A tal "casa" onde os dois trabalham, está
localizada na zona sul da cidade e é freqüentada
por homens e mulheres de classe alta, empresários,
executivos, artistas e ricaços de todas as naturezas.
Trabalhar para a casa é também uma medida
de segurança para os próprios boys, como
conta Caio, que nunca esteve nas ruas de São
Paulo - "Há uma grande diferença
entre os que fazem programa na rua e dos que ficam nas
casas. Teve uma vez, que fui deixado pelado em uma rodovia
em Curitiba, por isso nunca fiquei na rua aqui. Depois
dessa experiência, nunca mais!". Ao contrário
de Luca, que mesmo sabendo dos riscos, ainda se sente
muito atraído por ela, "adoro ir pra rua!".
Quem acha que só se procura os serviços
de um boy para realizar fantasias bizarras, se engana,
"As pessoas que nos procuram são carentes!
É bem mais pela companhia do que pelo sexo, sabe?
Se falta algo em casa, é nos boys que vão
procurar. É de momento, não tem obrigações,
é bem mais simples: você paga por isso
e tem o que quer!", concordaram os dois.
"Muitas vezes nem rola sexo no programa, tem gente
que só quer assistir uma masturbação",
diz Luca que, questionado sobre a fidelidade dos clientes,
diz também que "é difícil
ter clientes fiéis, raramente se come três
pratos no mesmo restaurante", (risos). Mas Caio
define de outro jeito, "Mulheres têm a idéia
de que é preciso haver um 'Ricardão',
os homens não, por isso elas podem procurar mais
vezes o mesmo 'boy' para prestar serviço".
O que acontece é uma diferença no perfil
dos homens e das mulheres que os contratam,
"A maior parte dos homens que nos procuram são
casados, já as mulheres nos procuram porque gostam
de caras maus, não tem jeito..."
Quanto ao anonimato e a vida social dos garotos de
programa, Luca já não se incomoda mais
-"Como não sou daqui e não tenho
vínculo com a cidade, fica mais fácil
entrar no meio, mas hoje não me preocupo mais
com isso, até porque já fiz 10 filmes
eróticos, e se fosse o caso, ser anônimo
seria fácil...o mundo é pequeno mas dá
pra desviar...". Já Caio, prefere a discrição
- "Nunca quis 'me queimar' por isso! Se moro aqui,
vou num lugar mais distante de casa para trabalhar.
Não dá para encontrar meu vizinho na padaria
e, depois, na noite!".
Também muito preocupados com a saúde,
freqüentemente fazem exames médicos e, sexo
sem camisinha, só com a namorada que normalmente
é do meio, pois compreendem e respeitam o trabalho,
"quando namoramos, transamos sem camisinha... é
como se fosse um pacto, mostramos confiança assim".
E quando não estão trabalhando, a balada
é sempre na Love Story, a única boate
que se sentem a vontade, "homens e mulheres da
noite costumam freqüentar 'pontos' diferentes,
mas quando chega umas 4h da manhã, todos se encontram
num lugar: na Love Story! Lá, a gente conversa
e se diverte... as propostas lá dentro são
absurdas! É difícil que alguém
não aceite!", completa Caio.
O tempo foi passando, os clientes chamavam os garotos
e a redação a nós. Luca finalizou
a conversa mostrando-se seduzido pelo luxo conquistado
com a profissão, "levo essa vida porque
adoro ser louco e independente!", frase que Caio
certamente também assina embaixo.
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