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Por Jade Petronilho
Especialista conta o que influencia
as pessoas que resolvem fazer filmes eróticos
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Pensemos
o seguinte: se migrar de um trabalho para outro já
não é uma decisão fácil, imagine
o que passa pela cabeça de alguém que resolve
largar tudo para tentar a carreira de atriz ou ator pornô!
Cá entre nós... Consideremos que não
deve ser um trabalho muito fácil e nem mesmo confortável;
todo mundo nu, transando com gente que, muitas vezes, acabou
de conhecer, sob a mira implacável de câmeras
que captam detalhes, digamos assim, intra-corpóreos.
Enquanto eles precisam provar virilidade ficando bem "rígidos"
em frente às câmeras, elas têm sempre que
atuar de maneira a convencer o telespectador de que têm
prazer de verdade naquele sexo estranhamente profissional.
Em outras ocasiões, o !NoMotel já contou
aos seus leitores como são feitas as seleções
de atores neste meio: basta procurar um agente ou uma produtora
especializada, enviar o material necessário e, se gostarem
de você, eles te chamam para os testes finais (que,
segundo renomados nomes da pornografia, não acontecem
no sofá).
Para entender porque a indústria pornô exerce
tamanha atração sobre as pessoas; o que pode
acontecer aos que entram nela sem ter certeza do que querem;
e qual o papel das famílias nisso, conversamos com
o psicólogo especialista em relacionamentos e ansiedade
Alexandre Bez.
!NoMotel: Problemas familiares podem ajudar na escolha
pela profissão de ator/atriz pornô?
Dr. Alexandre Bez: Sim, devemos lembrar que para todos
nós a questão familiar é muito importante.
Assim como problemas de ordem social, econômica ou sentimental,
falta de carinho ou constantes dificuldades na família
podem ser catalisadores para uma pessoa encarar esse tipo
de profissão.
!NoMotel: Apesar de os cachês não serem
altos, você acha que as pessoas encontram nesse meio
um modo "fácil" de ganhar dinheiro?
Dr. Bez: Com certeza! Apesar de a maioria ganhar pouco
com isso, a ganância por esse "dinheiro fácil"
acaba sendo grande e muitas meninas (principalmente) são
levadas por isso.
!NoMotel: Querer ser ator ou atriz pornô tem
a ver com ser exibicionista?
Dr. Bez: Pode ter uma parte de exibicionismo, sim.
Muitas pessoas buscam nisso uma maneira de se auto-promover,
se auto-afirmar. Normalmente, o homem tem bem mais isso do
que a mulher.
!NoMotel:
E com promiscuidade, tem alguma relação?
Dr. Bez: Apenas se não tomar as medidas necessárias
como, por exemplo, usar preservativo. No meu ponto de vista,
ser promíscuo tem a ver com o modo de fazer o filme,
ou seja, para mim, promiscuidade é fazer sexo sem camisinha!
!NoMotel: De acordo com o ponto de vista psicológico,
se prostituir e participar de um filme pornô é
a mesma coisa?
Dr. Bez: Psicologicamente, nenhum dos dois é
condenado, pois não existe uma doença específica
que diga que a pessoa vai ou não seguir esses caminhos.
Na verdade, alguns transtornos podem ajudar a pessoa a optar
por essa ou aquela profissão, mas na psicologia, não
tem certo e errado para essa questão. A única
diferença entre elas é que uma leva o nome de
prostituta e a outra o de atriz erótica.
!NoMotel: O comportamento de uma atriz em frente às
câmeras e longe delas, com um parceiro fixo, costuma
ser o mesmo?
Dr. Bez: Não, a mulher tem o que chamamos de
conotação sexual que é responsável
por fazer com que através da atividade sexual, ela
alcance um equilíbrio psíquico e não
tenha comportamentos neuróticos ou histéricos,
por exemplo. Na situação da filmagem, por ter
outras pessoas perto e não estar com um parceiro de
quem ela goste, nada vai ser natural; nem mesmo a lubrificação.
!NoMotel: E o comportamento do homem?
Dr. Bez: O homem não tem a conotação
sexual que a mulher tem. Ele muitas vezes não precisa
gostar da pessoa para se satisfazer, pois se ele tiver vontades,
paga alguém para isso e acabou! Muitas vezes, o homem
realmente consegue se saciar fazendo os filmes e, além
disso, é mais fácil ser aceito pela família
e pela sociedade.
!NoMotel: Por que a maioria das atrizes e atores não
usam seus nomes de batismo nos filmes?
Dr. Bez: Principalmente por privacidade, pois colocando
outro nome, tem como "dar uma disfarçada".
Para eles tudo é uma representação e,
sendo assim, usam um nome artístico, mas isso está
completamente dentro do que consideramos normal.
!NoMotel: Alguns atores e atrizes costumam declarar
que têm namorados (as) ou até maridos/esposas.
O psicológico dessa pessoa também pode ser abalado
por essa atividade profissional?
Dr. Bez: Com toda certeza. É muito duro aceitar
que o (a) parceiro (a) atue dessa forma e, se a pessoa gostar
da outra, ou aceita com muita dor, ou termina o relacionamento.
O psicológico é afetado principalmente porque
é normalíssimo que tenhamos ciúmes e
uma situação assim causa muita dor e sofrimento
- a menos que a pessoa seja insensível e esteja com
a outra por falta de opção ou somente para "namorar".
Bom, se existem maridos de atrizes comuns que se negam a ver
a mulher beijando na novela, imagine ver cenas dessa natureza...
!NoMotel:
Por que você acha que anões e pessoas com sobrepeso
entram com freqüência para a indústria pornô?
Dr. Bez: Se indivíduos que estão fora
dos padrões impostos pela sociedade entram para essa
indústria, com certeza é porque há demanda
para isso. É comum que pessoas com deficiência
ou com transtornos de qualquer natureza tenham dificuldades
em ter um parceiro fixo e uma vida normal, porém eles
também precisam suprir suas atividades sexuais necessárias.
!NoMotel: Ao longo do tempo, quais problemas psicológicos
quem participa dessa espécie de filmes pode ter?
Dr. Bez: Dependendo com quem a pessoa convive, ela
pode entrar para o mundo das drogas e ao contrário
do que dizem, as drogas não dão mais vontade
de fazer sexo. Pelo contrário: com o tempo, elas fazem
a pessoa perder a libido. Além disso, a dificuldade
da aceitação social e familiar é um problema
grande na vida dessas pessoas. Transtorno Obsessivo Compulsivo
(TOC) sexual, transtornos de ansiedade e até depressão
são as consequências mais comuns disso tudo.
O importante é a pessoa entrar nessa vida sabendo onde
está se metendo. Ela tem que ter em mente que vida
sexual ativa é fazer sexo com prazer e não só
por fazer.
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