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Crédito:sxc.hu
Ao perceber o quanto a questão das drogas associadas ao sexo é pouco abordada no país, a Associação Brasileira de Estudos do Álcool e Outras Drogas (Abead) decidiu realizar nos próximos dias 26 e 27 uma discussão sobre o tema. "Não temos pesquisas atuais e nem locais que atendam especificamente a essa junção de drogas e sexualidade", garante Alessandra Diehl, secretária regional da Abead e psiquiatra da Unifesp.
Em 1999, a Revista Brasileira de Psiquiatria publicou um estudo alarmante: o aumento de Doenças Sexualmente Transmissíveis em jovens estava diretamente ligado ao crescimento do consumo de drogas. Segundo pesquisas, 92% dos adolescentes entre 14 e 21 anos que utilizam drogas ilícitas já haviam mantido relações sexuais. Destes, 56% garantiram que usaram preservativo em todas as relações. Dez anos se passaram, a situação permanece igual e o pior: sem solução.
Para a psicóloga Vana Bedaque, a submissão a situações de risco não está somente ligada ao consumo de drogas, mas à confiança no parceiro e a um mito de que o não uso do preservativo é uma prova de amor. "Na verdade", diz ela, "é o contrário: ao fazer isso, provamos que não amamos o outro e nem a nós mesmos".
Apesar de, há séculos sexo e drogas aparecem juntos, lado a lado, como se fossem complementos perfeitos, de acordo com especialistas, essa combinação além de arriscada, pode ser - literalmente - brochante. Vana acredita que muitas pessoas gostam da mistura entre sexo e drogas por, algumas vezes, conseguirem sensações diferentes das comuns ou por se sentirem mais "poderosos" com o uso das substâncias. Mas alerta: "de modo geral, ao contrário do que se prega, as drogas são inibidoras e não estimulantes da atividade sexual... esse ´pseudo-poder´ pode até mesmo trazer graves consequências como a falta de controle e do domínio da atividade".
Estudo publicado pela BMC Health em 2008 aponta que muitos jovens europeus misturam cocaína, ecstasy e maconha ao sexo. Para a psicóloga, o problema se estende às drogas lícitas: "Álcool e tabaco podem, com o tempo, comprometer a vascularização e causar problemas físicos que prejudicam os orgasmos e a potência".
"Cabe ressaltar que, muitas vezes, as drogas são utilizadas para desinibir, mas seu uso contínuo ou em grande quantidade, certamente pode acarretar em problemas como a perda de libido, ejaculação precoce e disfunção erétil", finaliza.
Serviço: Para se informar sobre o seminário da Abead, ligue para: (11) 3113-9647.
*Matéria gentilmente cedida pelo !ObaOba
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