Que tal uma cobertura de chocolate, daquelas bem cremosas? Ou
chantily? Se preferir, pode ser algo um pouco mais crocante. Não, isso não é uma receita. Para algumas pessoas, esses ingredientes molham... Mas não a boca. Eles são os sitófilos, gente que faz sexo com o uso de alimentos. Antes que você pense na clássica cena da torta de maçã no filme
American Pie, saiba que este fetiche vai muito além disso. O comportamento sitófilo é diversificado e nem é tão incomum quanto aparenta. Pode, inclusive, servir até para apimentar uma relação de forma leve e descontraída.
Doce de leite, chocolate, morangos e outros alimentos doces são recursos que casais utilizam para fugir da rotina na cama. No chá de lingerie de uma amiga prestes a se casar, a estudante Isabela*, de 19 anos, conversou com uma mulher contratada para dar dicas de como apimentar a relação. "Ela falou para usarmos pêssego em calda durante as preliminares. Você passa no pescoço e vai indo", conta ela um pouco tímida. E o segredo, segundo a estudante, é manter a calda dentro da lata: "Depois, quando ele vir a marca no supermercado, vai lembrar de você".
Já o também estudante Sebastião*, de 21 anos, não esbarrou na prática por acaso. "Eu sempre tive vontade de ter experiências novas", revela. Ele comprou leite condensado e propôs usar com a namorada, numa brincadeira divertida. "É para passar em lugares estratégicos, seu e da parceira. Uma hora cada um, ela passa e lambe. Depois é a sua vez".
Mas o fetiche não para por aí. Os sitófilos mais
hardcore não têm medo de se aventurar mais ainda na cozinha. Este foi o caso dos britânicos Bill e Hayley Shipton, que se conheceram na década de 80 e começaram a fazer o chamado
splosh, uma prática sexual dos chamados fetiches
wet and messy (molhado e bagunçado). Trata-se basicamente de usar o que quer que seja para ficar completamente sujo e melecado - e se excitar com isso. Lama, tinta e outras coisas do gênero também são usados. Mas o mais comum são mesmo os alimentos, como bolos e tortas.
A prática se tornou ainda mais popular depois que os dois criaram a revista
Splosh!, que divulga a "modalidade". E para aqueles que se sentirem constrangidos em propor um
sploshing para o parceiro, o fetiche não depende de casais, pode ser muito bem feito sozinho. É o caso do
cake sitting, muito popular entre os adeptos. Não tem segredo: você pega um bolo e, nu, senta nele. E se a brincadeira ficar sem graça desacompanhado, é só achar alguém para "limpar" depois.
No final das contas, a sitofilia depende muito mais da criativade das pessoas. De um simples caldo de pêssego até as grandes sujeiras pelo corpo e pelo quarto, tudo vale. Basta imaginar e fazer. Portanto, não se acanhe. Chame seu parceiro, pegue seu último exemplar do livro de receitas da
Dona Benta e divirta-se.
* Os nomes utilizados nesta matéria são fictícios, para manter a privacidade dos entrevistados.